CRONOGRAMA
DA AIDS NO BRASIL E NO MUNDO
Primeiros
Casos - Relatava-se que médicos
Americanos haviam diagnosticado em pouco tempo, em Nova
York e São Francisco, 41 casos de Sarcoma de Kaposi,
um tipo incomum de câncer o que tornava a história
mais intigrante era a orientação (homo)
sexual de todos os pacientes. Alias era esse gancho no
título de reportagem (Câncer raro visto em
41 homossexuais).
Nos anos 80 pouco se tinha falado do assunto no Brasil,
devido ao caráter enigmático da “doença”
(câncer gay, peste rosa) acrescido de explicações
esdrúxulas sobre sua causa, seria o responsável
para incluí-la pautas e torna-las, pouco a pouco
assunto de destaque.
Se o período de latência do HIV for considerado,
pode-se deduzir que a introdução do vírus
no Brasil ocorreu no final da década de 70. Sua
difusão no primeiro momento ficou circunscrita
às principais áreas metropolitanas da região
Centro-Sul, mas na primeira metade da década de
80 é disseminada para as demais regiões
do país. Apesar do registro de casos em todas as
Unidades da Federação, a grande maioria
das ocorrências se concentra na Região Sudeste;
85% das notificações no período de
1980 a 1987 e 69% dos casos informados ao Ministério
da Saúde no período de 1994 a 1997.
Apesar dos esforços para o controle da epidemia,
o Brasil ocupa ainda a primeira posição
no número de casos absolutos de AIDS na América
Latina. Até Setembro de 2001, de acordo com dados
do Boletim Epidemiológico(Set/2002)da CN-DST/AIDS
– Coordenação Nacional de Doenças
Sexualmente Transmissíveis e AIDS – o número
de casos de AIDS notificados no Brasil era de 222.356
pessoas acumulados desde 1980.
No
entanto, os indicadores apontam para uma possível
estabilização da epidemia. A incidência
de AIDS vem mantendo-se estável, em torno de 20
mil casos novos por ano, ou 14 casos novos por 100 mil
habitantes há cinco anos. A prevalência do
HIV também apresenta estabilização
em todos os estudos-sentinela realizados no país
nos últimos quatro anos. Com base nos estudos realizados
em 2001, o Ministério da Saúde estima que,
em 2000, existiam no Brasil 597.443 indivíduos
com idades entre 15 e 49 anos, de ambos os sexos, infectados
pelo HIV. Isso correspondendo a uma prevalência
de 0,65%. Os indicadores também mostram que as
transmissões concentram-se entre mulheres e homens
heterossexuais. A transmissão heterossexual apresentou
um acréscimo de 4,9 pontos percentuais, passando
de 27,4% para 32,3% dos casos notificados entre 1980 e
2001, enquanto que a categoria de transmissão homo/bissexual
houve recréscimo de 4,3 pontos percentuais, passando
de 27,7% para 23,4%. Na categoria “usuário
de drogas injetáveis” houve um acréscimo
de 2,5 pontos percentuais, passando de 18,1% para 20,6%
dos casos registrados. Entre menores de 12 anos, a transmissão
do vírus da mãe para o filho é responsável
por 90% dos casos notificados. Cerca de 50% das pessoas
com AIDS já faleceram”
No
Brasil aproximadamente 83% dos casos de AIDS notificados
ao Ministério da Saúde encontram-se na faixa
etária de 15 a 49 anos de idade, o que corresponde
à população de maior força
produtiva do país.”
1982
– Uma das primeiras se não a primeira reportagem
saiu na revista Veja de 14.07.1982 sob o título
“Mal particular” apresentava o argumento de
um médico e professor da UFBA de que a epidemia
de Imunodeficiência nos gays americanos a tal “praga
gay” seria provocada pelo consumo exagerado de hormônios
estrógenos (femininos), segundo ele uma pratica
comuns entre homossexuais. Outras
possíveis causas com a existência de um agente
patogênico ou a “promiscuidade” dos
homossexuais que levaria a um desgaste imunológico.
1983
– O primeiro caso confirmado de AIDS no Estado de
Pernambuco foi na cidade do Cabo de Santo Agostinho.
- Tragédia
venérea (revista Isto É de 06.04.1983 )
é novamente o mal como algo estritamente do estrangeiro
e de homossexuais, embora acene com a possibilidade de,
em um futuro próximo “produzir vítima”
entre os heterossexuais, alias nessa reportagem já
aparece à sigla “AIDS”.
- O
“Mal dos homossexuais americanos” fez em junho
de 1983, no Brasil sua primeira vítima que foi,
coincidentemente, uma pessoa pública e de curto
destaque nas colunas sociais, Marcos Vinícius Resende
Gonçalves , o estilista Markito, 31 anos, começou
a instaurar-se uma inicial onda de pânico –
e de preconceito – no país apontava um possível
surto de epidemia.
- Em
setembro de 1983 foi criado um serviço, então
recém instalado para secretária de Saúde
do Estado de São Paulo, uma espécie de disque
AIDS, o texto – não assinado – é
categórico “não há epidemia
de AIDS no Brasil” ao contrario dos Estados Unidos,
onde existia uma verdadeira epidemia, justifica o texto,
que haviam morrido apenas 08 pessoas.
- O
serviço foi questionado numa reportagem da época
“mais adequada à Nova York que a São
Paulo já que a AIDS era uma raridade no Brasil”.
Passou dois anos em um limbo de silêncio e somente
voltaria com força total em 1985.
1984
– De forma praticamente simultânea, cientistas
americanos descrevem pela primeira vez o vírus
HTLV-III, posteriormente batizado de HIV – o vírus
da imunodeficiência humana.
1985
- Surgiu a primeira organização não-governamental
(ONG) AIDS no país, o Grupo de Apoio à Prevenção
a AIDS de São Paulo (GAPA-SP).
–
Surgiu neste ano o teste Enzyme-Linked-Imunosorbent Assay
(Elisa), para detectar a presença de anticorpos
para o HIV, o primeiro a ser utilizado.
-
A Veja - a mesma revista que dois anos antes afirmara
que a AIDS era uma raridade no Brasil e que um disque-AIDS
era totalmente desnecessário no estado de São
Paulo, mantendo, desde então silêncio sobre
o assunto - voltou à AIDS com uma extensa ( 13
páginas) reportagem de capa, em 14 de agosto de
1985. Ainda que as 05 páginas inicias busque um
aspecto mais “cientifico”- com os números,
boxes, declarações de médicos e cientistas,
seguidas de 02 páginas de perguntas e respostas
nas quais se esclarece as “lendas” e “dúvidas”
sobre a AIDS, seguem-se 04 páginas com histórias
de doentes. E, suplantado o ineditismo de Isto É
de três meses antes, ao fazer "júnior”
falar a uma revista(ainda que sobe um pseudônimo)
e deixa-se fotografar (ainda que mascarado), a edição
da Veja consegui mais: um rapaz, hemofílico, além
de lamentar sua história, dá seu nome verdadeiro
e deixa-se fotografar com o rosto inteiro. Dos
outros três depoimentos, nos quais todos têm
um tom de desolação, apenas o de um rapaz
norte-americano é acompanhado de foto.Deitado sobre
uma cama, cigarro na mão e espectralmente macilento,
o seu tipo físico começará a preencher
a imaginação popular.
–
Em março deste ano, a revista Isto É dedicou
ao tema a sua primeira e grande reportagem de capa “
AIDS segunda onda de Pânico ”, após
a morte de Markito em 1983, quando, dizia-se, só
as classes mais abastadas e que tinha estado no exterior
poderiam ter a doença e, naquele momento, em 1985,
constatava a reportagem, havia a segunda onda. “A
peste do século XX” esta instalada no Brasil,
onde avança em progressão geométrica.
Assim, ao contrário de todas as reportagens anteriores
(geralmente pequenas), havia, enfim, o reconhecimento
de que a AIDS já tinha se transformado em uma epidemia
no país.
- Em
1985 foi editada uma Portaria Ministerial, com as diretrizes
para um Programa Nacional de Controle de AIDS.
-
Em julho deste ano Rock Hudson,p or intermédio
de um porta voz, tornou mundialmente público que
tinha AIDS, e que era gay. Esse foi o primeiro e o então
maior ponto critico da epidemia da AIDS nos Estados Unidos.
Foi somente a partir daí que o governo conservador
de Ronald Reagan, então presidente daquele país
e ex-colega de Hollywood do Astro HIV Positivo começou
a realmente dar atenção à epidemia.
–
Em agosto, na revista Veja o então Ministro da
Saúde Carlos Sant’anna, declarava que a AIDS
era alarmante, mas não prioritária.
1986
– Fundação da organização
não-governamental de ação anti-aids
(ong/Aids) fundada por Betinho.
1987
– Faleceu - Darcy Penteado – Artista Plástico
e Escritor
-
Durante o decorrer da segunda metade da década
de 80, cada vez mais os médicos e outros profissionais
de saúde (entre Psiquiatras, Psicólogos,
enfermeiros, atendentes e etc.) que trabalham com pacientes
de AIDS tem aura heroicizada pela impressa, tanto que
em 18 de fevereiro de 1987, a ISTO É dedicam-lhes
uma reportagem de capa ( Na qual se lê: ”Soldados
da Aids”), intitulada” No front da Aids”.
Ainda que seja perceptível que as metáforas
de guerra já dominam abertamente o discurso midiático
de então, deixa essa analise um pouco para depois.
Apesar de nem todos os médicos serem considerados
exemplos profissionais e éticos, pois, a reportagem
também discute os casos de preconceito e ignorância
dentro da própria classe, ela acaba no confronto
com os “Maus” exemplos, enaltecendo o resto,
ou seja, os “bons”, aumentando-lhes a virtude
e a coragem.
-
Foi estruturada a Comissão Nacional de Controle
da AIDS, que passou a supervisionar as demais coordenações
nacionais e a responder pelo programa de prevenção.
- O Jornal do Brasil em uma edição especial
de domingo no caderno B, como reportagem de capa, o “Diário
da peste”, do repórter e escritor Júlio
Ludemir. Na apresentação do texto, diagramada
como se fosse uma página arrancada de um caderno
ou diário, diz-se que Ludemir, “aliando o
rigor da apuração a uma técnica de
qualidades ficcionais”, produziu um “comovente
relato” em forma de diário, no qual detalha
o leitor “o pungente cotidiano da AIDS’do
Hospital Universitário Gaffrée e Guinle,
no Rio de Janeiro, um dos primeiros e então poucos
locais a atenderem pessoas com AIDS. Durante oito dias,
Ludemir freqüentou, como um disfarçado estudante
de medicina, enfermarias e ambulatórios do hospital.
1988
- Foram criados os Ctas - Centros de Testagem e Aconselhamento,
hoje espalhados por todo o país. Ainda em 1988,
foram editadas algumas leis referentes à AIDS.
A lei de número 7.649/88 tornou obrigatório
o cadastramento de todos os doadores de sangue e a realização
de exames laboratoriais para testar sua qualidade, inclusive
o teste anti-HIV; a de número 7.670/88 estendeu
aos portadores da AIDS benefícios referentes à
licença para tratamento de saúde, aposentadoria,
reforma militar, saque do FGTS - Fundo de Garantia por
tempo de Serviço e etc, a de 7.713/88 isentou o
portador do vírus HIV do pagamento do imposto de
renda sobre seus proventos de aposentadoria.
- Surgiu o Programa Nacional de Controle das DST- Doenças
Sexualmente Transmissíveis e AIDS.
- A
história de Gaetan Dugas , comissário de
bordo canadense, que teria sido um dos elos nos primeiros
casos do então “câncer gay” na
América do Norte ou, então, em uma explicação
mais, precipitada que teria levado a aids para a América,
o caso nº zero, sendo por isso, conhecido por paciente
zero. O belo, atraente comissário, mesmo quando
lhe foi informado que poderia ter uma moléstia
infecciosa recusava-se, de forma categórica a para
ou diminuir suas atividades sexuais. Ao contrario, ia
as saunas gays com intenção oposta. “Ele
fazia sexo com o parceiro, depois acendia as luzes no
cubículo (da sauna) e mostrava suas manchas do
sarcoma de Kaposi, eu tenho câncer gay, dizia, “eu
vou morrer e você também”. Foi com
esse tom de estória de horror que foi lançado
nos Estados Unidos em 1987 And the Band Played on (O Prazer
com risco de Vida, titulo recebido no Brasil em 1990),
livro de Randy Shilts. O frisson provocado pela estória
na mídia foi tamanho que o paciente zero foi eleito,
em 1987 pela revista norte-americana People, uma das figuras
mais em evidencia do ano, ao lado Mikhail Gorbachev e
da princesa Diana entre outros.
–
Reportagem de capa da revista Veja “Morrendo aos
Poucos a cada dia” a matéria de suas últimas
também tem preferido lutar pela vida no anonimato,
mais ao abrigo da discriminação que sofre
e vendo uma mudança, refletiu: Hoje uma parte dos
doentes não teme mais mostrar o rosto. Eles têm
esperança de que suas histórias pessoais
ajudem a combater o preconceito e a melhorar as condições
de atendimento nos hospitais”
- Henrique
de Souza Filho, o Henfil faleceu em 4 de janeiro de 1988
aos 43 anos.
- Francisco
M de Figueiredo Souza o Chico Mario faleceu em 14.03.1988
aos 39 anos.
1989
– Cazuza que negava há tempos estar com Aids
e que, no mesmo período na abertura de uma telenovela,
exortam o país a mostrar a cara, um Brasil, música
de sua autoria cantada por Gal Costa – mostrou,
enfim a sua cara.
- Em 05 de março desse ano o Jornal do Brasil diagnosticou(ou,
então, ajudou a dar a partida para )essa mudança,
era uma edição especial do caderno B, dando
a capa e mais duas páginas centrais inteiras à
AIDS. No entanto, em vez de serem matérias apenas
médicas ou de comunicados, essa edição
especial parece ter tentado provocar uma discursam mais
profunda sobre o assunto, abordando a AIDS pelos mais
diferentes vieses (direitos civis e saúde pública,
questões legais e éticas etc) e com uma
profundidade pouco comum na mídia para o tratamento
da AIDS.
–
Foto de Cazuza na capa com a chamada “ Uma vitima
de Aids agoniza em Praça Pública”
essa capa polêmica também levou a um questionamento
da própria imprensa, que seus limites e da postura
ética no tratamento de um tema tão delicado
quanto a Aids.
-
Falece Lauro Corona (Confissões pós mortem)
– Quando mesmo após o falecimento, a causa
mortins vem confessar, de forma clara e subentendida (Por
causa de infecções geralmente relacionadas
à síndrome).
1990
– Aos 59 anos na ocasião da morte de Hudson
um dos primeiros livros lançados na Brasil, tendo
a AIDS como tema foi “Roger conseguir curar-se a
AIDS” de Bob Owen em 1990 – Neste livro um
médico americano, com AIDS, decide procurar um
amigo, também médico, o qual por medicina
alternativa “cura-o” da AIDS. Segundo o autor
a história é verídica, sendo que
apenas os nomes foram trocados.
1991
- Declaração pública da soropositividade
do jogador de basquetebol norte-americano Earvim “Magic”
Johnson , em 1991, podem ser, por exemplo, considerados
pontos críticos, em termos locais e, também,
mundiais, a partir dos quais as maneiras de ver a epidemia
e de elaborar respostas a ela tomaram outros rumos.
1992
- Ficou proibida a realização de teste sangüíneo
para detecção do HIV nos exames de
pré-admissão e periódicos dos servidores
públicos. Também foi declarado que os convívios
sociais e profissionais com os portadores do HIV não
conseguiram situações de risco, ainda que
as medidas para o controle da infecção sua
correta informação e os Procedimentos Preventivos
Pertinentes e que a sorologia positiva para o HIV não
acarreta prejuízo da capacidade e trabalho de seu
portador. Neste ano Carlos Augusto Strazzer confessou
ser portador do vírus.
-
Em 29 de maio de 1992 foi assinada a portaria interministerial
dos ministérios da saúde e da educação,
dispõe, no seu artigo sobre a irregularidade da
realização de testes sorológicos
compulsórios de alunos, professores e/ou funcionários,
bem como da divulgação de diagnósticos
da infecção pelo HIV ou da AIDS de qualquer
membro da comunidade escolar, ou da manutenção
de classe ou escolas especiais para pessoas infectadas
pelo HIV.
1993
– A Atriz Sandra Brea não teve uma confissão
tão espontânea na mídia.
1994
– Faleceram - Cláudia Magno e Caíque
Ferreira .
1996
Em 13 de maio foi instituído o PNDH – Programa
Nacional de Direitos Humanos, que buscava identificar
os obstáculos à promoção e
a proteção dos direitos humanos no país.
O PNDH enfatiza os direitos civis e ressaltava aqueles
que diziam respeitos a integridade física e ao
espaço da cidadania de cada um, o programa destacava
ainda a proteção do direito a tratamento
igualitário perante a lei e determinava ações
especificas em relação aos portadores do
HIV/Aids.
-
Em novembro o governo torna gratuita a distribuição
de medicamentos necessários ao tratamento da AIDS,
através da edição da Lei número
9.313 de 13 de novembro de 1996. Em relação
ao fornecimento de medicamentos, importa destacar que
o Brasil, desde a edição da lei número
9.313/96, distribui gratuitamente, pelo SUS-Sistema Único
de Saúde, todos os medicamentos. Em seguida, se
define uma política de tratamento médico
e produção de medicamentos genéricos
em laboratórios públicos destinados ao tratamento
da Aids.
-
Herbert Jose de Souza, o Betinho faleceu em 09.08.1997
aos 61 anos, em 1988 Henfil procurou negar a AIDS assim
como negava hemofilia.
2002
– Em 13 de maio foi editado o decreto 4.229 onde
institui o PNDH II . A respeito do HIV/ Aids o programa
definiu uma das seguintes metas:
-
Apoiar a participação dos portadores de
DST e HIV/Aids e suas organizações na formulação
e na implementação de políticas e
programa de combate e prevenção das DST
e do HIV/ Aids entre outras.
OBS:
É interessante observar que o Brasil é,
provavelmente, o único país de língua
latina que usa a sigla AIDS, ainda que tenha a fonética
aportuguesada e não SIDA, como em Portugal e entre
os falantes de língua hispânica ou francesa.
É certo que é comum no Brasil, a apropriação
de palavras estrangeiras mais isso também pode
indicar a grande influência do noticiário
norte-americano nos meios de comunicação
brasileiros. Paulo Roberto Teixeira explicou que o grupo
de trabalho formado em 1983 por médicos da secretaria
de Estado da Saúde de São Paulo, em resposta
aos primeiros casos de AIDS no país, evitou usar
SIDA, já que seria próximo a “CIDA”,
apelido genérico e comum dado no Brasil, as mulheres
de nome Aparecida, para evitar chacota com essas pessoas,
o grupo sugeriu a sigla SIA, abandonada logo após
pela AIDS na mídia.
2003/2004
-Aids registra o maior crescimento da História
- O
total de contaminados em todo o planeta já chega
a 37,8 milhões, dos quais 66% estão na África
Subsaariana
- Demétrio Weber escreve para “O Globo”:
A propagação mundial da Aids em 2003 foi
a maior da História, com a infecção
de 4,8 milhões de pessoas pelo HIV no ano, indica
estimativa divulgada nesta terça-feira pelo Programa
das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Pnaids)
- O total de contaminados em todo o planeta já
chega a 37,8 milhões, dos quais 66% estão
na África Subsaariana.
- Metade dos 4,8 milhões de novos casos é
de jovens na faixa de 15 a 24 anos, segundo o Relatório
2004 sobre a Epidemia Global de Aids. Entre os infectados
de todas as faixas etárias, as mulheres representam
quase 50% dos novos casos.
- África Subsaariana registrou 3 milhões
de novos casos
- O relatório do Pnaids sustenta que os esforços
mundiais de combate à epidemia precisam ser direcionados
para a Ásia. Segundo os especialistas, isso deve
ser feito agora para prevenir “uma explosão
da catástrofe da Aids”. Somente no ano passado,
a Aids foi diagnosticada em 1,1 milhão de pessoas
na região — mais do que em qualquer ano anterior.
O relatório lembra que a Ásia abriga 60%
da população mundial e que a crescente epidemia
no continente tem “implicações globais”.
O relatório registra um significativo aumento do
número de infecções em China, Indonésia,
Vietnã e, sobretudo, Índia, onde vive uma
em cada sete pessoas contaminadas de todo o mundo. O Pnaids,
entretanto, frisou que o leste da Europa e a África
Subsaariana continuam sendo duramente atingidos pela epidemia.
A estabilização do número de pessoas
vivendo com o HIV no sul da África, alerta o relatório,
está relacionada ao aumento de mortes e não
à redução de novos casos. Segundo
o relatório, pelo menos três milhões
de pessoas contraíram o HIV em 2003 naquela região.
O relatório não detalha os números
da infecção no Brasil. O Ministério
da Saúde não faz essas estimativas, mas
calcula que de 40 mil a 45 mil pessoas sejam infectadas
anualmente no país, com cerca de 11.500 mortes
por ano.
— Apesar dos avanços em alguns países,
a epidemia continua crescendo — disse o coordenador-interino
do Pnaids no Brasil, Pedro Chequer.
O relatório registra que 20 milhões de pessoas
em todo o mundo já morreram de Aids desde 1981,
quando a doença foi diagnosticada. No ano passado,
foram 2,9 milhões.
— O mundo está perdendo a batalha contra
a Aids — disse o diretor do Programa de Aids do
Ministério da Saúde, Alexandre Grangeiro.
O Pnaids informa que os gastos globais no combate à
doença aumentaram de US$ 300 milhões, em
1996, para US$ 5 bilhões, no ano passado.
Mas isso não representa nem metade dos US$ 12 bilhões
necessários para enfrentar a epidemia nos países
em desenvolvimento até 2005. Hoje, só 20%
da população mundial infectada têm
acesso à prevenção e 10%, a remédios.
(O Globo, 7/7)
Bibliografia:
HIV/AIDS
no mundo do trabalho: As Ações e a Legislação
Brasileira (Oficina Internacional do Trabalho).
– Maria Cristina Pimenta, Veriano Terto Júnior,
João Hilário Valentim, Moema Prado (Org.)
Maria Beatriz Cunha (Coord.).
- Os Perigosos – Autobiografias e AIDS – Breve
extratos dessas publicações. ABIA –
Marcelo Secron Bessa.
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