A Associação
de Mulheres Entendidas de Pernambuco (AME) também
participou da disputa, obtendo dois votos. A eleição
foi aberta e contou com 21 votantes, representando as
ONGs componentes da Articulação.
Antes da eleição, os candidatos apresentaram
suas justificativas para concorrer à coordenação
da Articulação Aids PE. Josenita Duda,
da AME, ressaltou sua experiência na elaboração
de projetos e na ação política.
Outro motivo apontado por ela para ocupar o cargo foi
a necessidade de contribuir para que a sociedade preste
atenção no aumento do número de
casos de Aids entre as lésbicas. “Já
há mais de 400 casos de Aids entre lésbicas,
mas o assunto está longe de ser discutido como
se deve. Não há pesquisa, nem reportagens
sobre a abordagem da Aids com relação
às lésbicas. Ainda se foca quase que exclusivamente
os homossexuais masculinos”, explica.
Wlademir
Reis, do GTP+, destacou que a participação
do Grupo na coordenação seria importante
para tratar de questões que normalmente passam
despercebidas quando se trata da temática HIV/Aids,
a exemplo dos problemas de adesão dos pacientes
aos anti-retrovirais e os problemas paralelos enfrentados
por quem toma este tipo de medicação (falta
de alimentos, de moradida, entre outros).
“Este
é um dos maiores desafios que necessitamos aprofundar
nesta gestão. Cada vez chegam mais doentes no Recife
e não há mais lugar para abrigá-los”,
salienta Reis.
A
ação dentro dos hospitais de referência
no tratamento do HIV/Aids foi o ponto destacado por Fábio
Correia, da Sida, em defesa de sua candidatura. “Conseguimos
contribuir para a humanização da abordagem
das enfermeiras com relação às pessoas
que procuram os hospitais. E ainda há muito a ser
mudado. Precisamos lutar para que os médicos desenvolvam
formas de transmitir informações que, parecem
simples, mas não conseguem ser comunicadas. Muitas
vezes, os médicos não conseguem explicar
o que é Aids para um paciente, apesar de ter profundos
conhecimentos sobre o tema”, afirma.
Jair
Brandão, da RNP+, levantou a necessidade de fortalecer
as redes de ativismo em HIV/Aids como um dos alvos de
suas atividades na coordenação da Articulação
Aids PE. “A RNP+ contribuirá também
com suas atividades dirigidas à prevenção,
complementando as ações assistenciais das
demais instituições candidatas”, comenta.
Novos
membros – Durante a reunião, o Grupo Curumim
anunciou seu retorno à Articulação
Aids. A recentemente criada Associação de
Travestis também passa a integrar a Articulação.
Planejamento
– Ficou agendada para os dias 21 e 22 de março,
nos turnos manhã e tarde, a reunião de planejamento
da agenda de atividades da Articulação Aids.
O local será definido posteriormente.
Reconhecimento
– um momento de emoção aconteceu quando
os integrantes da Articulação falaram sobre
a gestão de Pedro Nascimento (Instituto Papai)
e Wladmir Reis (GTP+). Entre os quesitos elogiados, a
consolidação da Articulação
Aids como espaço de participação
democrática e como um movimento amadurecido.
Todos,
apesar de afirmarem que já sentem saudades, felicitaram
Pedro por ter passado no doutorado. Ele vai morar a partir
deste mês no Rio Grande do Sul. “Espero ter
chances de vir aqui o máximo de vezes possível
e continuar a luta”, deseja Pedro Nascimento.


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